quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Como NARCISO

Imagem: Narciso de Michelangelo Caravaggio (Web)


Como NARCISO

Debruçado sobre o espelho d’água,
Não é o meu reflexo que vejo,
Mas, o teu rosto, que almejo,
O teu corpo, que desejo...
Não contentado com a tua imagem, apenas,
Toco o espelho e, de assalto,
Uma difusão de ondas
Desfaz a miragem.
Mergulho!
Talvez afogado,
Como Narciso, renasça em flor,
Perpetuando, assim, o nosso amor.






 Imagens: Flores de Narciso, colhidas na Web

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sábado, 13 de outubro de 2012

Tabebuias


Tabebuias


Tabebuia, nosso ipê, árvore altaneira.
Vaidosa, não usa acessórios somente,
Troca-se por inteira.



  
Já fora a árvore nacional brasileira;
Contudo, destituída do título,
Não ficou menos faceira.





Feliz o povo do Brasil, gente festeira,
Tem no ipê, a flor do símbolo nacional,
Rosa, branco, amarelo ou roxo; cada árvore, bela floreira.



Fotos:

- Ipê branco: Amalri Nascimento (O Ipê Branco da minha rua)

- Ipês Amarelo, Rosa e Roxo: Web

















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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Criança



 

 











Criança

Criança agitada
Criança calma
Criança!

Criança rica
Criança pobre
Criança!

Criança hiperativa
Criança tranquila
Criança!

Criança com lar
Criança abandonada
Criança!

Criança sadia
Criança com câncer
Criança!

Criança bem alimentada
Criança faminta
Criança!

Criança branca
Criança negra
Criança!

Criança alegre
Criança triste
Criança!

Criança cheia de esperança
Criança sem perspectiva de vida
Criança!

Criança na companhia dos pais
Criança a espera de adoção
Criança!

Criança bem cuidada
Criança espancada
Criança!

Criança na escola
Criança submetida a trabalho escravo
Criança!

Criança sorrindo
Criança com lágrimas nos olhos
Criança!

Criança levada
Criança educada
Criança!

Criança bem vestida
Criança descalça e nua
Criança!

Criança na escola
Criança analfabeta
Criança!

Criança que corre e anda
Criança com deficiência
Criança!

Criança brincando
Criança sem brinquedo
Criança!

Criança extrovertida
Criança introvertida
Criança!

Criança inteligente
Criança com dislexia
Criança!

Criança autista
Criança down
Criança!

Criança birrrenta
Criança de castigo
Criança!

Criança
Crepúsculo!
Despertar...
Início de toda uma vida
E como tal merece ser tratada como criança...

Nossa Senhora Aparecida!
Mãe varonil...
Olhai pelas crianças do nosso Brasil...



Fotos: Web
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Primavera

   

Imagens: Amalri Nascimento
(O Ipê Branco da minha rua)
  
 


PRIMAVERA

Sinal verde.
É quase chegada a primavera.
Floriram os ipês, os jasmineiros, as azaléias...
Das estações, talvez, a mais bela.
Nas “telas” à luz do dia,
Vistosas aquarelas.
Nos sonhos românticos,
Fabulosas quimeras.

Exalando suavidade nos mais puros aromas.
A estação das flores...
Emoldurando um céu azul de poucas e brancas nuvens.
A estação das cores...
Despertando romantismo nos corações apaixonados.
A estação dos amores...

Seja bem-vinda primavera!
Desabroche seus botões sobre a terra.
Seja bem-vinda primavera!
Depois caia e seja para os males da alma, panacéia.
Seja bem-vinda,
Majestosa primavera!

Selecionada para Antologia “PrimaVersos” – Edição 2010, da Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE).

 
Eu nem sabia da existência de um IPÊ BRANCO na minha rua, posto que nunca tinha visto a sua floração, "trata-se de um tipo de ipê muito apreciado por sua beleza e exuberância, ficando totalmente branco durante um período muito curto, pois sua floração não dura mais do que dois dias (em geral, por volta do mês de agosto). Às vezes repete a floração por volta de setembro, porém com menor intensidade." Dada a efemeridade da sua floração, o espetáculo fica ainda mais deleitoso aos olhos...



sábado, 29 de setembro de 2012

Vazio de mim



Vazio de mim

A esmo
Ermo de sentimentos
Feito anjo expulso do paraíso
Sem pecado cometido caído e condenado
A vagar por labirintos e abismos
Vagueio pelo deserto
Dos meus dias
Imerso na letargia que me obsedia...

Intentando transpor riscos levadiços
Tropeço sobre abissos
Em horas infindas mergulham os dias
E perco-me em singularidades
Onde o tempo e espaço se confundem

Não mais existo
Sou o grito que se perdeu no eco
A luz que viaja o cosmo
Transluzindo mundos diáfanos
Mergulhados em vácuos infinitos

Sou a inspiração esvaída
Concebida para se perder
Na frouxidão de palavras contidas
À deriva nas pontas dos dedos
Errantes métricas e rimas traídas e retraídas...

Sou o verso contrito
O verbo mudo
Fóton nulo na sombria sombra
Poética algemada enclaustra em muros

Hoje estou vazio de mim
De corpo e alma dispersos
Sou livro aberto de páginas em branco
Pura solidão pairada adejando ao vento
Lacuna sem preenchimento
Folha caindo em lento

Sou as laudas de um caderno virgem
Sequioso das gotas do carmim
- minhas paralelas convergem a um fim -
Apenas a sorver as lágrimas
Que brotam de mim
Caem sobre mim
Para se perderem em mim...












Imagens: Web

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Esse amor que não morre

Foto: Web


Esse amor que não morre

Arranquei meu coração e o coloquei
Numa bandeja de prata.
Esperei que ele parasse de bater
Para depois escrever n’uma lápide
De pedra escura com letras arcaicas:
Aqui jaz um amor!
Inerte, fiquei por longo tempo,
Não consegui nada escrever,
O coração continuou a bater,
E eu, ainda, amo você!

* Poesia selecionada no I Concurso Carioca de Poesia ABRACI/2006.
* Transcrito para uma lápide, por uma esposa que perdera o marido, na cidade de Parnamirim/RN, tornou-se, portanto, um EPITÁFIO.


 
"Epitáfio do Rei Uzias"
Foto: Web
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sábado, 22 de setembro de 2012

Sozinho



Fotos da declamação do poema

 

Sozinho


Fechando-me a segredos
De combinações infindas
A luz que descortinava as íris aos clarões do dia
Foi-se para se perder nos abissos
Mais recônditos de minh’alma querente

Sem deixar resquícios de réstias
Por mais tênues que alimentassem
Um lampejo de esperança
Prostrou-me a tatos doridos
Nessa solidão insana que lancina...

E mesmo que insista
São mudos os ecos
Da aldrava fundida em sentimentos
Do tempo perdido

O que fazer
Senão sangrar os dedos em agudas farpas
Ao esmurrar a crueza da madeira
De portas que se fecham

Sozinho e sob espreita de olhares hediondos
De gárgulas que vomitam torrentes
A pele nua sucumbe
Aos calafrios do relento que oprime a carne
Enquanto as entranhas reviram-se e ardem
Às chamas de suplícios e desejos...

1. 2º lugar no V Concurso de Poesias da Casa do Marinheiro-2012 - Rio de Janeio

 (Prêmio Suboficial João Roberto Sobral)

 

2. Finalista dentre os 20 melhores textos no V Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro
APPERJ-2012 - (Prêmio Francisco Igreja)


Foto com poetas finalistas, alguns apperjianos, membros do júri, irmãs de Frnacisco Igreja e afins.