sábado, 30 de agosto de 2014

Reminiscências


Reminiscências


Resquícios de sonhos idos
de um tempo
de nós dois
reverberam-se
em fragmentos do teto.

Sussurros,
gemidos e
segredos confidenciados
na intimidade cálida,
inda ecoam
dos arcanos do quarto
reminiscências pelo ar.

Mãos
que choram nostalgias
rasgando a pele
lençol onírico amorfo
d’alma inerte.

Charcos marejos
de olhos véus
em horizontes nus,
espelham arejo lenitivo
janela adentro
à lembrança que ficou.



Texto: By Amalri Nascimento
Imagens: Web
Manipulação de imagens: By Amalri Nascimento



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Espectros e Anjos


Espectros e Anjos


Há dias em que o arrebol
Desvanecendo-se do rubro deleitoso
Deixa-se tragar por uma noite de breu impenetrável
A sombra sorrateira desliza lentamente
E entra sem pedir licença

Liberto todos os espectros tristes
De um tártaro latente em mim
Aos pares carrancudos dançam impiedosos
Sobre o véu de melancolia que me cobre
Sob leitura de lábios mórbidos
Rogo que se rasgue e deixe a brisa entrar

Nesses dias
A poesia que brota fere e abre feridas
Entrego-me ao poeta que sou e entorpeço meus desejos
Sangro minh’alma em rimas doridas
Bebo as lágrimas e lavo os versos vorazes que me dou

Há dias em que a aurora
Dissipando a névoa gélido-rasteira
Faz cair o carrasco pálio da escuridão que oprime
A luz revigorante irrompe fugazmente
Entra sem pedir licença e impõe-se acalorada

Liberto todos os anjos felizes
De um paraíso latente em mim
Em estado de graça cantam e dançam faustos
Sobre os gritos de evoés de minha alegria
Sob embriaguez deleitosa que torna meus sentidos incautos
Rogo que as cortinas dos meus olhos não arriem

Nesses dias
A poesia que brota jorra qual água de olheiros límpidos
Entrego-me ao poeta que sou e devaneio em êxtases oníricos
Minh’alma esvai-se em rimas anestesia
Bebo os néctares de etéreas fantasias

Anjos guardem meus segredos*
Anjos levem meus desejos*   
     
                                                 (*Entre nós dois – Banda Malta)


Texto: By Amalri Nascimento
Imagens: Web
Manipulação de imagens: By Amalri Nascimento

domingo, 13 de julho de 2014

Olhares - Esdras Rebouças Nobre

Amigos vejam um dos mais bonitos trabalhos de divulgação do RN, especialmente feito pelo fotógrafo potiguar Esdras Rebouças Nobre, do qual tenho o prazer de ser amigo.
Esdras, nos últimos trinta anos, tem se dedicado a focar com dedicação e sensibilidade as suas lentes sobre as belezas naturais de um estado que dispensa comentários... 
O Rio Grande do Norte é lindo!





sábado, 3 de maio de 2014

ECO

*Imagens carregadas da internet e editadas pelo autor do blog


Eco

Anjo caído?
Não sei
Andarilho idílico?
Talvez
Numa noite calma
Abordou-me de assalto
Desnudo, somente a penumbra o cobria
Afiado no verbo
Salivou-me aspergindo versos...
Atiçava a libido em poesia...
De gingado fácil
Seduziu-me a seguir seus passos
Germinando em mim fluídico interesse
Mescla de prazer e êxtase!
Dançando ao som da flauta que trazia
Sinfonizava afinadas melodias
Verborragia em notas que me aprazia...
Seus lábios ardentes sopravam um hálito quente
Sussurros plenos de lascívia e arroubamento
Preenchiam o ambiente...
Minh’alma embalada com sua música
Porquanto me conduzisse
Volvia suavemente
Ao meu ouvido, voz decidida
Carregada de calmaria persuasiva
Disse que me queria...

Ímpeto de lucidez!

Súbita consciência despertou-me
Trazendo-me a tento
Irrorando dúvidas tal qual sangria:
Enviado de um Deus
Ou sátiro que se atrevia?!
A noite fluía fria e a bruma envolvente
Exalava aroma anestesia
Sons alados ecoavam rasgando o ar silente
Mais que entregues
Dançávamos embevecidos por pura magia
Conquanto suas palavras me possuíssem
Sedução, encantamento, repentina paixão!
Atados em apertos de braços
As espáduas minhas
Suadas e nuas exclamavam arrepios
Aos toques de intumescidos mamilos
Os poros ventrais minavam suaves calafrios...           

Não!

Não era anjo caído
Tampouco sátiro atrevido

 Eco!

A ninfa castigada por quanto intentasse
Segredar amantes
Transmutada, alada, nua
Em pelo!
Era doce vê-la entregar-se aos meus delírios:
Invadir os meus idílios e
No ato da sedução querente
Encontrar neste peito de afeto latente
Arcanos que ressoassem seus ecos
Meu gozo em versos...
Festim de inspirações prementes...

Anjo caído
Narciso ensimesmado
Morbidamente autoapaixonado
Poluções Flor Lago
Selfie afogado
Dionísio Baco Vinho
Pan Sátiro Flauta
Zeus Ninfas Hera
Traições olimpianas
Castigo da fala
Sussurros...
Gemidos...
Ecos de Eco
Bacanal...
Orgia...
EVOÉ POESIA!

*Classificado no 12º Concurso de Poesia, da Universidade Federal de São João del-Rei 2012.

*Reformulado e inscrito no “III CONCURSO LITERÁRIO EROTISMO EM RIJAS ASAS 2014”, organizado pelo Ativista Cultural, poeta e escritor Paulo Oliveira Caruso, sendo laureado com a MEDALHA DE BRONZE.


sábado, 30 de novembro de 2013

Poemas Premiados no "II Concurso Literário Erotismo em Rijas Asas"

"As foto-manipulações digitais surreais de mulheres sensuais de Kassandra Elka Vizerskaya"


Organização do Acadêmico Oliveira Caruso
II Concurso Literário EROTISMO EM RIJAS ASAS

Meus dois poemas premiados:


Gozando versos
(Medalha de Prata)

Com dedos ávidos
exploro relevos nus
a procura de oásis deleitosos

Intumescendo mamilos e falo!

A cada crista
surfo dunas de perfeitas curvas
Qual crina aos ventos
ejaculo sentimentos

Válvulas e poros exalando lascívia na frouxidão de orgasmos!

Sentindo na pele
o açoite de uivantes ventos
deslizo suave o deserto ventre

Bocas afoitas sorvem néctares quentes...

Aflorando prazeres contidos
d’alma ardente
em frêmitos espasmos assomo meus delírios

Sem medo libertam-se os espíritos

e na languidez
de olhares cruzados
colho todos os versos no gozo derramados



 


CENÁRIO
(Menção Honrosa)

Encontro marcado
Ansiedade...
Espera...
A hora que não chega
Coração excitado...

O encontro!
Sentidos aguçados
Desejo aflorado
Tu, rosto enrubescido!
Eu, sexo intumescido!

Escadas
Balaustrada
Passos apressados
Abraços, afagos, beijos roubados
O capacho, a porta, o molho
As chaves que não acho

O tapete da sala
A cortina filtrando a luz
O lustre apagado
A penumbra que seduz...

A maçaneta
A porta do quarto
A cama
Lençóis arrancados
Roupas jogadas
Torsos nus!

Poros afrouxados
Sussurros, gemidos...
Clímax
Gozo!!!

Nós dois
Corpos suados
A janela aberta
A noite caindo
A lua dos enamorados

O abajur, o portarretratos
O teto, o cigarro
Mãos afoitas
Teu cabelo despenteado
Dedos entrelaçados

A vitrola
A agulha virgem, o vinil...
O sono embalado
Sonhos...
Sorriso nos lábios!
Ah!
APAIXONADOS!!!

sábado, 2 de novembro de 2013

NOITE

Imagens: WEB
NOITE

Celeste abóbada
sob véu noturno
pálio a estender-se por sendas de estrelas
tecedura de poeira cósmica
onde germinam-se sonhos...
Dossel aberto qual manto enegrecido
donde cintilam fúlgidos incrustes
a revelarem-se fugidios...
Em tácita timidez
incrustados desde o dia
não vistos até que chegue a noite
Policromo de brilhos e cores
séquito duma lua majestosa
Névoa rastejante
penetrando frestas
envolvendo corações e mentes...
Gélido cobertor
nas solidões de quartos
Suspiros serenos
Sussurros incontidos
Delírios afoitos
soltura de palavras inconscientes
soadas nos açoites de ventos
permeados na escuridão
Bocas semiabertas em diacronia
com olhos que se cerram
e  se entregam modorrentos
Sono ritmado
às batidas dum coração
descompassado que dorme...
Em sobressaltos sonha...




domingo, 27 de outubro de 2013

Aplacando a dor



Aplacando a dor

Vez por outra somos tomados de assalto por sentimentos que acabam por nos levar às lágrimas. Eu mesmo, de quando em quando, entrego a alma ao bálsamo que lava e alivia o peito. Foi assim que nasceu, tempos atrás, o poema:

Fuga
(Manhã de 24NOV2007)

Precisa sair
Fugir, libertar-se...
Encontrar caminho
 E vai...
Deixa um rastro sutil
Um leve sabor de sal
Esvai-se
Evapora-se
Alivia
Escorre pela face
A lágrima anestesia...


            A angústia, espécie de ansiedade intensa que faz doer até a carne, em momentos de sofrimentos súbitos, também pode ser aplacada, mesmo que em tempo lento, se permitirmos a esse líquido precioso sublimar as essências emanadas do nosso âmago.
            Dor, aflição, agonia, sofrimento; não importa o nome atribuído ao sentimento, tudo se esvai e se transforma com o passar do tempo. Ah, o tempo, sempre se encarrega de tudo. No lugar das coisas ruins, lembranças boas proporcionam novas razões... Lavar a face pode significar renovação, reconstrução da paz de espírito. Nalgum desses momentos passados, mais uma vez meditando sobre um, não inesperado, posto que seja fato natural na ordem da existência, a morte, única certeza que podemos ter da vida, concebi outro poema:

Passagem
(02JUN2011 - Para RONI DIAS, após o desencarne da sua mãe)

Nascer, viver, morrer.
Curso natural difícil de aceitar

Sob as pontes da existência
Passam águas calmas
Passam águas céleres
Águas turvas e águas claras
Águas diferentes, sempre!
Têm rumo certo
O incerto mar da vida!

Sobre as pontes da existência
Nem sempre atento
Navegar intento
Perco-me!
Ebulição de pensamentos
Palavras que se jogam ao vento...
Ás vezes erro, outras, acerto!

Ciclo...
Passagem...
Desencarne!

Dor que invade
Dilacera a carne
Passageira...
Não tem pressa
Mas passa
Lentamente...
Dolência insana!
Mas passa
Carência que se esvai
Nos frouxos olhos derramando águas...

Lágrimas!
Águas saudosas...
Lavam e aplacam a alma
Lembranças tantas!
Turbilhões, peito adentro...
Lembranças que acalentam
Alimentam a vida que segue seu rumo
Certo ou incerto
Mas segue...

"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei."
(Allan Kardec)

            Ainda, mais recentemente pude perceber e, afinal, entender que não devemos erguer comportas para reter lágrimas. Outro dia acordei pura e simplesmente com vontade de chorar. Mas de onde vinha essa necessidade eu, até hoje, não sei. Todavia, descobri não ser essencial decifrar as origens. Liberte e se deixe libertar... Depois de um dia inteiro taciturno e macambúzio, noite adentro sucumbindo a interrogações para as quais não obtinha respostas, descuidei-me um pouco do orgulho e chorei. Pranteei até que rolassem lágrimas. Liberei a angústia em gotas que afligiam a alma... E com elas e através delas aplaquei a dor que nascera não sei de onde. Aliás, não interessa mais saber. Lágrimas são lágrimas. Sublime secreção aquosa essencial à vida.
Escrito em 16JUN2011.